Caracterização / Aspectos Físicos

Geomorfologia

É o estudo das formas de relevo de uma região. Uma região pode ser estudada através das unidades morfoestruturais, que refletem os diferentes tipos de relevo, condicionados pela Geologia.
As Unidades Morfoestruturais existentes na BHRC, estão condicionadas pelos seguintes grupos litológicos: Complexo Granulítico de Santa Catarina, Granitos Alcalinos e Bacias Vulcano Sedimentares de Joinville e Campo Alegre.

Os terrenos formados pelo Complexo Granulítico de Santa Catarina são constituídos pelas rochas metamórficas e ocupam grande parte da área da BHRC, abrangendo por completo a Planície Costeira e partes da Serra do Mar e do Planalto Cristalino. Na planície, esta unidade apresenta-se bastante desgastada formando alguns morros isolados, sendo os de maiores altitudes sustentados por quartzitos intercalados nos gnaisses e, controlados por uma orientação estrutural geral no sentido N/S. Na Serra do Mar o Complexo Granulítico está representado pelos gnaisses granulíticos e migmatíticos, que possuem planos de falhas, com direções NE/SW, que condicionam principalmente a seqüência de vales paralelos dos rios Alandf, Lindo, Kundt, Tromba, Prata, Isaac, Seco e Cubatão (Mapa).

No Planalto, o Complexo Granulítico está representado pelos gnaisses e uma lente de quartzito, além dos diques de diabásio e de rocha metabásica que cortam os gnaisses, formando linhas de cristas salientes com padrões direcionais no sentido NW/SE.

Os granitos alcalinos formam unidades morfoestruturais aproximadamente circulares, denominados Granito Dona Francisca e Morro Redondo, possuem áreas de aproximadamente 70 Km² e 132 Km² respectivamente. O primeiro forma a Serra Queimada e possui planos de fraturas com direções N/S que orientam os canais dos rios Cubatão e Campinas e E/W, enquanto o segundo forma a Serra do Quiriri e apresenta-se falhado e ou fraturado nas direções NW/SE, NE/SW, N/S e EW. Ocorre uma grande influência dos condicionantes estruturais nos padrões de drenagem nesses corpos intrusivos, como por exemplo na área do Granito Dona Francisca, onde o canal do rio Cubatão forma uma grande ferradura, contornando este corpo intrusivo (Mapa). As Unidades Morfoesculturais ou Unidades de Relevo estão inseridas diretamente nas Unidades Morfoestruturais sendo as seguintes: Planalto Cristalino, Serra do Mar e Planície.

O planalto é parte integrante da Serra do Mar, sendo um prolongamento da mesma. Apresenta -se bastante dissecado com altitudes variando de 700 m à 1000m (Mapa) e, declividade, entre 10º e 40º (Mapa), ocorre na porção oeste, nos reversos das serras do Quiriri e Queimada. Ocorrem neste, terrenos com morros arredondados e suavemente ondulados, intercalados com superfícies planas, vales poucos encaixados e vertentes suaves, predominantemente convexas (Mapa). As amplitudes de relevo entre o fundo dos vales e o topo dos morros é de no máximo 200m. Os domínios montanhosos da parte mais meridional da Serra do Mar brasileira, são constituídos na BHRC pelas seguintes toponímias locais Serras do Quiriri, Queimada, Dona Francisca, Prata e Tromba. Esta unidade separa a Planície, do Planalto. A Serra do Mar é constituída por um conjunto de cristas e picos, separados por vales profundos em V, possui vertentes voltadas para Leste e Oeste, onde a primeira, denominada Leste ou Atlântica apresenta-se mais íngreme e longa com declividades às vezes superiores a 60º (Mapa) e desníveis de até 1500 m entre a planície e o Morro do Quiriri. Na vertente Leste ocorrem vales encaixados controlados pelos condicionantes estruturais (falhas e fraturas). Ocorrem também paredões e cachoeiras de até 360 metros de altura, como por exemplo as cachoeiras do Salto 1 do rio Cubatão, do rio da Prata e a do rio Quiriri. As vertentes voltadas para o planalto (Reverso) apresentam-se desníveis de até 350 m e declividades de 45º (Carta Hipsométrica e clinográfica respectivamente). As maiores cotas altimétricas encontram-se inseridas em áreas de ocorrências dos corpos graníticos, chegando a 1538 m de altitude no Morro do Quiriri, situado na serra homônima, e 1325 m na Serra Queimada, a qual representa a maior cota altimétrica do Município de Joinville. Nas encostas da Serra do Mar encontram-se diversas cicatrizes de deslizamentos ocorridos em períodos de alto índice pluviométrico. Na zona intermediária da escarpa existe uma cobertura coluvial fina, composta por cascalhos e blocos de tamanhos variados, que vai adquirindo espessura em direção ao sopé da vertente.

A Planície Costeira se formou em função da deposição dos sedimentos recentes sobre o embasamento, possui gênese fluvial na parte do médio curso do rio Cubatão e marinha no baixo curso próximo a foz. Esta planície possui relevo plano com cotas inferiores a 30 m no qual se destacam alguns morros isolados formados por rochas gnáissicas e quartzitos de no máximo 200m. O rio Cubatão nessa parte, apresenta canal de forma meandrante e anastomosada formando uma extensa planície aluvionar com terraços, ilhas fluviais e meandros abandonados.

A planície costeira se estende por cerca de 17 Km entre a Serra do Mar e a foz do rio Cubatão na Baía da Babitonga.


Autor: Reginaldo José de Carvalho